MINIMERCADOS CRESCEM 62% EM APENAS 4 ANOS

MINIMERCADOS CRESCEM 62% EM APENAS 4 ANOS

MINIMERCADOS CRESCEM 62% EM APENAS 4 ANOS

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Ter um  mercadinho no bairro é a certeza de que nenhuma receita precisará ser deixada pela metade na falta de algum item essencial. O sucesso desse modelo – cuja vocação é atender às necessidades mais imediatas e de reposição – aparece claramente retratado na pesquisa Tendências do consumidor em supermercados, divulgada pela APAS neste ano. O estudo constata que 22% dos entrevistados preferem o mercadinho de bairro e/ou vizinhança para realizar as compras do dia a dia. E, representa, também, o queridinho dos shoppers para o consumo de emergência, sendo citado por nada menos que 50% dos entrevistados no levantamento.

O presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), Eduardo Terra, lembra que os hábitos dos brasileiros passaram por grande transformação a partir do Plano Real, quando a compra de abastecimento para o mês, com tíquete alto e muitos itens, começou a se mostrar desnecessária. “O tíquete caiu, a frequência de compra aumentou e o minimercado surgiu como forte tendência”, explica o especialista.

Dados do Sebrae-SP indicam que o número de estabelecimentos intitulados mercadinhos de bairro teve elevação de 62% em quatro anos – de 2014 para 2018, passando de 13,9 mil para 22,6 mil. Só na capital paulista, há 5,2 mil minimercados. Outra aná- lise do Sebrae, desenvolvida em âmbito nacional, chamada de Minimercados no Brasil, confirmou que o setor é o segundo maior do país em número de pequenos negócios, respondendo por, aproximadamente, 415 mil estabelecimentos. Além disso, já registra 6% do PIB brasileiro e concentra 35% das vendas do setor supermercadista.

Tendência que veio para ficar

O sucesso do formato fez com que saísse da informalidade a fim de cair no radar das grandes redes. “Ficou notório que aquele era um modelo interessante de negócio, que despertou a atenção das grandes redes a investir em versões menores dos hipermercados”, avalia Terra.

De acordo com o presidente da SBVC, o varejo regional é forte, mantém média de compra frequente, fora o fato de receber fluxo contínuo. Tudo isso permitiu que cada vez mais redes mirassem a abertura e a expansão das lojas nesse formato, com o objetivo de fidelizar o shopper, atendendo-o em diferentes momentos de compra. Afinal, o mesmo consumidor que precisa resolver rapidamente o jantar e passa no minimercado pela praticidade, no final de sema- na, pode querer preparar um churrasco elaborado – nessa ocasião, especial e planejada, procurar um hipermercado, que ofereça mais opções e melhores preços, poderá ser considerada possibilidade mais atraente. “Cada formato entrega uma necessidade e o minimercado consegue suprir aquela vontade momentânea. Dificilmente, alguém vai se deslocar até um hipermercado para comprar um ou dois itens”, afirma a diretora executiva do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (Ibevar), Patricia Cotti.

Os hábitos dos brasileiros mudaram e, em razão do novo contexto da economia, a compra de mês, com alto tíquete e muitos itens, caiu em desuso

É, portanto, fundamental que o mercadinho de bairro esteja a um raio de, no máximo, cinco quarteirões do shopper, dispensando transpor te e estacionamento. Trânsito, custo e segurança são circunstâncias que pesam, consideravelmente, para quem vive a correria das grandes cidades.

O desafio do sortimento

Embora esse seja um modelo de negócios com bastante potencial, também apresenta desafios a quem o administra. O sortimento figura como um dos mais importantes. Com vistas a escolher o que colocar na gôndola, é imprescindível identificar o perfil dos compradores do bairro. De maneira geral, quem pode pagar e quer um atendimento melhor vai ao minimercado; quem busca preço segue para o hiper. Por isso, investir em produtos premium pode ser uma boa alternativa no sentido de atrair um público mais seletivo. Além disso, o hortifrúti costuma ser um bom chamariz para o shopper, que prefere alimentos frescos e que têm de ser adquiridos com intervalo de tempo bem menor.

A disputa pela atenção do consumidor existe e é comum aos negócios de todos os portes. O desafio é proporcionar a melhor experiência de compra

“É preciso elevar o nível de serviço e investir em uma diferenciação, sem ter de apostar em um amplo mix. O mais importante é encontrar os itens que realmente atendam à necessidade do perfil de consumidor que frequenta o local”, afirma o professor, mestre em Administração pelo Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppead-UFRJ), Leonardo Marques.

O primordial é lembrar de que o grande desafio ainda é atrair o shopper para os canais de vendas, sejam os físicos ou os digitais. A disputa pela atenção do consumidor existe tanto no pequeno negócio quanto nos grandes. O segredo está em ser capaz de proporcionar a melhor experiência. “A qualidade do conteúdo tem se tornado mais relevante que a marca estampada na embalagem, abrindo espaço, nas prateleiras, para produtores regionais e indústrias menores, um ótimo aliado da diferenciação”, considera o CEO da Hiper, empresa que desenvolve soluções nas áreas de gestão e vendas para o varejo, Thiago Vailati.

Outra proposta é focar na conveniência. Segundo Marques, os minimercados devem investir na oferta de lanches rápidos que possam ser consumidos na hora, e, ainda, em produtos que vão compor a cesta de compras destinada à casa. “Ter um café oferecendo opções rápidas e diferenciadas, saladas e frutas limpas e prontas para consumo, linhas de orgânicos, veganos ou sem glúten, são possibilidades interessantes para manter o negócio em alta”, avalia.

O atendimento deve ser, do mesmo modo, um ponto de atenção. É indispensável in- vestir em profissionais qualificados para uma abordagem mais consultiva e mantê-los continuamente treinados para, realmente, serem capazes de tornar a compra do cliente muito mais rápida e prazerosa, diminuindo a distância entre o shopper e o melhor produto para o perfil ou a necessidade que ele apresenta naquele momento.

Também é essencial que o minimercado se mantenha, minimamente, competitivo. Para isso, além de dispor de produtos certos e um bom atendimento, é fundamental investir em tecnologia. “É um desafio, mas qualquer varejo precisa ter um sistema efetivo para controle de vendas e estoque. Quem não pode desenvolver ou adquirir soluções inteligentes pode alugar softwares adequados para a necessidade do negócio”, sugere Terra.

Uma das primeiras preocupações deve ser uma gestão eficiente. E, para isso, além de conhecimento técnico em administração, é essencial contar com a tecnologia. Um bom sistema de gestão disponibiliza ferramentas sob medida para o porte de cada negócio, apoiando o supermercadista na gestão de vendas, no estoque e nas finanças.

“Os empreendedores devem buscar sistemas de gestão mais simples, feitos para a rotina do pequeno negócio, que apoiem no atendimento à legislação e que tragam mais agilidade para o atendimento aos consumidores”, confirma o CEO da Hiper, Vailati.

 

Fonte: SBVC

Ponto Varejista

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